ARTUR SERPA
GUIA · CUSTOS DE COMPRA

Quanto custa comprar um imóvel em Florianópolis, além do preço

Quem compra paga ITBI à prefeitura, a escritura no tabelionato e o registro no cartório de imóveis. Num apartamento de R$ 2 milhões pago à vista em Florianópolis, essa soma chega a R$ 50.029,31. A calculadora abaixo faz a conta com as tabelas de 2026.

Por Artur Serpa · atualizado em 29 de setembro de 2026
Ponte Hercílio Luz no fim da tarde, em Florianópolis
CALCULADORA · TABELAS DE 2026 Quanto você vai pagar além do preço
COMO VOCÊ VAI PAGAR

Estimativa com a tabela de emolumentos do TJSC para 2026, o FRJ de 22,73%, ISS de 5% e as leis de ITBI de cada município. Fora de Florianópolis, usei 5% de ISS, o máximo permitido por lei; o cartório pode cobrar menos. Não inclui certidões, avaliação do banco nem laudêmio. O valor oficial sai na guia da prefeitura e no orçamento do cartório.

O ITBI em cada cidade

O ITBI é o imposto municipal sobre a transmissão do imóvel. As quatro cidades da Grande Florianópolis cobram 2%; a diferença está em quem financia.

CIDADEALÍQUOTAPARTE FINANCIADA
Florianópolis2%0,5% sobre o valor financiado pelo SFH, até R$ 259.540,29. O que passar disso e a entrada pagam 2%.
São José2%Sem redução para financiamento comum. As alíquotas menores valem só para habitação popular.
Palhoça2%0,5% só em programa habitacional federal para renda de até 3 salários mínimos.
Biguaçu2%1% sobre a parte financiada pelo SFH e 1,5% quando o financiamento usa FGTS.

O imposto é pago antes da escritura: o tabelionato só lavra o ato com a guia quitada. Em Florianópolis, o próprio comprador gera a guia no site da prefeitura e declara o valor da compra. Se a prefeitura entender que o valor declarado está abaixo do mercado, pode abrir fiscalização e cobrar a diferença com multa. A lei da capital também permite parcelar o ITBI.

Na compra na planta, Florianópolis e Palhoça calculam o ITBI sobre o imóvel pronto, com terreno e construção. Em Florianópolis, imóvel residencial de até R$ 206.266,96 é isento, o que quase nunca vale para o alto padrão.

Escritura: quando existe e quanto custa

Na compra à vista, a escritura pública é feita no tabelionato de notas. Em Santa Catarina, o valor segue uma tabela única do Tribunal de Justiça: acima de R$ 226.100,05, somam-se R$ 50 a cada R$ 50 mil, até um teto de R$ 5.664,71 de emolumento, que é atingido por volta de R$ 3,7 milhões. Em cima do emolumento entram o FRJ (22,73%), o ISS do município e o selo de fiscalização.

Quem financia não paga escritura. O contrato do banco tem força de escritura pública (Lei 9.514/97, art. 38) e vai direto para o registro.

Compra à vista em Florianópolis, com os valores de 2026:

VALOR DO IMÓVELITBIESCRITURAREGISTROTOTAL
R$ 1.000.000R$ 20.000,00R$ 3.777,65R$ 3.697,06R$ 27.474,71
R$ 2.000.000R$ 40.000,00R$ 5.054,95R$ 4.974,36R$ 50.029,31
R$ 3.000.000R$ 60.000,00R$ 6.332,25R$ 6.251,66R$ 72.583,91
R$ 5.000.000R$ 100.000,00R$ 7.254,84R$ 7.239,40R$ 114.494,24

Registro: é ele que torna o imóvel seu

Enquanto a compra não é registrada na matrícula, o imóvel continua no nome do vendedor. O registro segue a mesma lógica da escritura, com tabela própria e o mesmo teto. Quem financia registra dois atos: a compra e a alienação fiduciária, que é a garantia do banco, calculada sobre o valor financiado.

O primeiro imóvel residencial financiado pelo SFH tem 50% de desconto nos emolumentos do registro (Lei 6.015/73, art. 290). Desde outubro de 2025, o SFH vale para imóveis de até R$ 2,25 milhões.

O que fica fora da conta

  • Certidões. A certidão atualizada da matrícula custa R$ 72,81 no 1º Registro de Imóveis de Florianópolis, já com FRJ e ISS. Costumam entrar também as certidões pessoais do vendedor.
  • Avaliação do banco. Na Caixa, pelo SBPE, de R$ 841,44 a R$ 954,13. No Itaú, até R$ 1.950. Cada banco tem a sua tabela.
  • Laudêmio. Em terreno de marinha, comum na orla da ilha, a União cobra 5% do valor do terreno, sem a construção. Quem paga é o vendedor, mas a certidão da SPU precisa estar pronta para a escritura sair.
  • Taxas da incorporadora. Na compra na planta, taxas de transferência ou de interveniência dependem do contrato e precisam estar no quadro-resumo. Expliquei isso no guia de compra na planta.

Perguntas que eu mais ouço

O ITBI é calculado sobre o valor que eu paguei?

Em regra, sim. O STJ decidiu que o valor declarado na compra presume-se o de mercado e que a prefeitura só pode contestá-lo com processo próprio (Tema 1113). Em janeiro de 2026, a Lei Complementar 227 mudou a regra do Código Tributário, e até onde essa mudança vale ainda está em discussão.

Quem financia paga menos ITBI?

Depende da cidade. Florianópolis cobra 0,5% sobre a parte financiada pelo SFH, até R$ 259.540,29, e Biguaçu cobra 1%. Em São José e em Palhoça, fora dos programas habitacionais, são 2% sobre o valor inteiro.

Em que ordem eu pago cada coisa?

Primeiro o ITBI, depois a escritura e, por último, o registro. Quem financia pula a escritura: o banco envia o contrato direto para o cartório de registro.

Na compra na planta, quando eu pago o ITBI?

Na transferência da unidade, que costuma acontecer perto das chaves. Em Florianópolis e em Palhoça, a base é o imóvel pronto.

A calculadora substitui o orçamento do cartório?

Não. Ela usa as tabelas oficiais de 2026, mas o valor final sai na guia da prefeitura e no orçamento do cartório, que podem ter diferença de centavos ou atos extras.

Fontes

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